Seis da manhã, cedo para alguém que sai as 7:30, porém a mente acusa:
- É hora de trabalhar, não vai se atrasar!!!
- Só mais um pouco, afinal ontem cheguei tarde, nem fiz nada do que eu queria!!!
- Ta bom, mas coloca o relógio no pulso para ele despertar, das 7:00 não passa.
- Combinado!!!
A eterna briga do universitário com sua cama, afinal após trabalhar o dia todo e grudar nos cadernos, o universitário enfrenta monstros maiores do que Dom Quixote em sã consciência poderia inventar.
Como se 1 hora se passasse em 1 minuto, é hora de despertar, tomar banho, trocar-se rapidamente, afinal faculdade gera gastos, adolescência gera gastos, “ser-humano” gera gastos, e trabalhar é necessidade quase que fisiológica.
Alguns passam a vida dentro de escritórios, outros atrás dos telefones, e nós atrás dos computadores, pelo menos uma parcela de “nós”, e alguns nem tem esse privilégio, trabalhar em mercados, em serviços difíceis dos quais as pessoas olham e nem imaginam algo melhor.
Mas somos guerreiros, em sua maioria jovem de corpo ou de coração, de vontade de patriotismo, de cópia de desejo de anti-comunismo.
E vamos nós nos provar como pessoas, cidadãos que aos poucos se desencasularam para vida que nos espera, alguns de ônibus, carro, van, moto, não importa o desejo é cumprir o dever, ficar de cara com o futuro, mas não conseguir escreve-lo é algo que cerca a raça da raça do universitário.
E eis que o patrão pede, quero algo sobre o produto que toque as pessoas, pois bem vamos lá brincar com os sentimentos, eis que escrevo um poema, coisa que mexa com o coração, rimas exatas tardias da vida, copiadas como cada letra da escrita, e então me vem a inspiração:
Sinto hoje a saudades
De uma alma apagada
De um tempo que se vai
De uma vida exprimida e alongada
Eu cresço e percebo
O quanto eu perdi
A sensação dos primeiros amigos
O choro e a risada que se contrastavam o ir na escola
Os tombos e as palmadas que me fizeram ser quem eu sou
As paisagens que eu apenas vi uma vez
Os sábados de chuva que eu deitava para escutar
As brincadeiras e a amizade sincera que me fugia
Hoje meu coração seco não sente mais o calor
Dos braços de um vento quente
Da sensação do primeiro beijo
Da liberdade de poder sair lá fora
Vendo o sol
O poder trazer novamente todos aqueles
Que fizeram parte das vidas
Poder apenas por um dia abraçar a todos
Sem sentir o vazio do não estar mais
Do não poder mais
Ah! Se meus amores tivessem sido correspondidos
Se eu tivesse seguido todos os meus sonhos
O quanto eu exitei
Uma palavra que muda toda a vida
Saudades de ser criança
De correr atrás das pequenas preocupações
Da vergonha, dos primeiros olhares
Dos sonhos puros dos antigos amores
Do caderno em branco, dos erros desapercebidos
A primeira palavra
Os primeiros passos
As primeiras notas e compassos
A alegria das descobertas
As brincadeiras
Os jogos, a bicicleta
O lápis que risca o vazio
As brigas, as pazes, as risadas
O sol que entra pela janela
A água fria do rio na madrugada
A sombra que aparece na água
A lona molhada sobre as costas
O descansar do corpo embaixo da sombra das ávores
Da água quente de um chuveiro, deitado no chão
O antigo balanço amarrado na mangueira
Os dias repetidos
Os lentos passos, o breve sorriso
Que estranhamente somem num pequeno espaço
Imagine a grama sobre o chão
Rasteira
Um mar azul e cristalino
O vento
Balançando as palmeiras
O passeio de trem
As ruas de terra
A casinha de madeira
Os sons-hos
Os sons-hos
Os sons-hos
Abrir a porta
E encontrar quem se gosta
Do amor mais puro a amostra
Da breve vida saltitar
No mar de nuvens mergulhar
O livro da vida que se perdeu
Lembrar o mundo
O abraço da mãe
O beijo da namorada
A brincadeira do cachorro
Que passam
E a única solução
Pra quem pode
É uma breve existência, acorde!!!
E após escrever o que foi mandado, percebo então que chega a hora de partir, novamente e brevemente para casa, pois logo é hora de ir, entro na van, passo pelo mesmo caminho, chego no conhecimento abro minha mente, ouço atentamente, pois agora eu sei, não é difícil viver, mais ser lembrado, ah isso sim, é o maior desejo de todos.
Olá meu nome é universitário.
Ricardo Ferreira